sexta-feira, 17 de maio de 2024

Belchior Correia de Lacerda

Belchior Correa de Lacerda esteve na Índia certamente pelos anos de 1540 e 1550, tempos de D. João de Castro, de São Francisco Xavier e até de Camões. 

Foi ele que apresentou Jácome Dias para abade de Monte de Fralães em 1561. No assento de óbito, o abade diz que ele tinha sido muito seu amigo. Deve-lhe ter dado preciosa colaboração na momentosa tarefa de reconstruir a paróquia.

Belchior Correa de Lacerda faleceu em 1569 e foi sepultado no Mosteiro de Vilar de Frades. 

Era casado com D. Isabel de Pina, mas não tiveram filhos.

Torre do Solar de Fralães vista de sul.


António Correia Pereira

António Correia Pereira era irmão de Belchior Correia de Lacerda e foi comendador de Borba de Godim. Casou com D. Violante de Azevedo depois de a ter raptado e dela ter filhos.

Do descendente dum dos filhos, de nome Nuno Álvares Pereira, que foi para a Índia, falar-se-á à frente. Das suas filhas, uma professou em Guimarães[1], outra em Estremoz e uma terceira nas clarissas de Vila do Conde[2].

António Correia Pereira possuiu vários escravos. Uma escrava, de nome Maria Negra, teve três filhos de pai não identificado em breve período de tempo.



[1] O abade Jácome Dias lançou o seguinte registo da partida da primeira destas irmãs para a vida religiosa:

Aos 8 do mês de Outubro de 1581, entrou a senhora D. Maria, filha do senhor António Pereira e da senhora D. Violante, no mosteiro das freiras de Guimarães. Foram com ela a senhora D. Violante e seus filhos Cristóvão Pereira, Diogo Correia, Manuel de Lacerda, e Estêvão Ferreira e outra muita gente. Nosso Senhor a faça santa.

[2] Possuímos documentos que ainda lembram foros que terrenos de Monte de Fralães pagavam a Santa Clara de Vila do Conde. Como não consta que tenha ido para este mosteiro mais nenhuma filha dos Correias de Fralães, eles remetem com certeza para esta filha de António Correia Pereira.

Cristóvão Correia de Lacerda

Cristóvão Correia de Lacerda, casado em 20/7/1587, era decerto o senhor da Honra de Fralães ao virar do século e há-de tê-lo sido por mais alguns anos. Dos dois filhos que teve, o mais novo fez-se domi­nicano, adoptando o sonante nome de Frei Bartolomeu dos Mártires (morreu em 1621), e o mais velho, António Correia de Lacerda ou simplesmente António Correia, sucedeu ao pai.

O abade Tomé da Guarda menciona-o em 1596.

António Correia de Lacerda

António Correia de Lacerda casou com D. Ana de Mendanha.

Casado com certeza muito jovem, bapti­zou uma filha logo em 1605 e o primeiro filho varão e futuro herdeiro em 15 de Agosto de 1607. Três dos seus oito filhos morreram de tenra idade. Entre os irmãos da sua esposa, além de um clérigo secular, que foi cónego e vigário geral em Braga, houve dois clérigos regulares e quatro freiras.

Para educar os filhos, António Correia Pereira terá abandonado o seu solar e ido viver talvez em Barcelos ou Braga. Isso explicaria a cedência da capela à Confraria e o facto de ele não ter dado mais qualquer contributo para a nova instituição.

O filho Miguel Pinheiro Correia, clérigo in minoribus (isto é, não sacerdote), teve uma carreira eclesiástica de sucesso. Duas raparigas foram freiras em Vairão.

Apesar de ter criado tantos filhos, não teve nenhum neto. Nem ele, nem a mulher, nem nenhum dos filhos que chegaram a adultos terá morrido e sido sepultado em Monte de Fralães.

Nos assentos de baptismo da freguesia, encontram-se quase a totalidade dos dos filhos de António Correia Pereira. Copia-se o de D. Serafina:

Baptizei Serafina, filha de António Correia e de sua mulher, D. Ana Figueira de Mendanha, em dois dias do mês de Dezembro (de 1613). Padrinhos: o senhor Deão, da cidade de Braga, madrinha, a mulher de Benevides, de Barcelos.

Tomé da Guarda

Cristóvão Correia Pereira

Cristóvão Correia Pereira, filho do anterior, casou com D. Catarina de Andrade de Macedo, mas viveu pouco tempo com ela e não tiveram filhos.

Em Fralães, só há notícia dele para o fim da vida, quando apadrinhou duas crianças, uma em 1661 e outra em 1670.

Pedra do Acordo da Confraria do Subsino (1763).

Manuel Correia de Lacerda

Manuel Correia de Lacerda, parente afastado dos Correias de Fralães, vivia em Ruivães (actualmente concelho de Famalicão). Por volta de 1685, “intrusou-se” na Casa de Fralães apesar de haver herdeiro legítimo, descendente daquele Nuno Álvares Pereira, filho António Correia Pereira que fora para a Índia. Tratou-se dum grave roubo.

Manuel Correia de Lacerda, que terá casado em 1687, baptizou, em Ruivães, o filho Francisco, certamente o herdeiro, em 20 de Outubro de 1688, e, em Fralães, em 1691, a filha Isabel e, em 1692, a filha Maria.

Morreu em 18 de Novembro de 1695 (a esposa faleceria em 7 de Dezembro de 1738).

Ao menos desde 1699, viveu em Fralães Manuel Pereira de Lacerda, meio-irmão (bastardo) de Manuel Correia de Lacerda[1].

Pode ter sido ele o informador do Pe. Carvalho da Costa sobre a freguesia e sobre a lápide dita de Élio


Lápide erradamente lida como sendo de Élio Faie ou Saie por volta do ano de 1700. Encontrava-se num degrau da escada que vinha do solar para a capela da Confraria. Hoje guarda-se no Museu de Martins Sarmento, em Guimarães.



[1]Possuímos um livrinho que regista a recepção dum foro pelos senhores de Fralães entre 1724 e 1859. Este Manuel Pereira assina várias vezes a recepção (mas assinam-na muitos outros senhores da casa). Em 1699, foi pai duma menina cuja mãe era uma mendiga de Viatodos. Havia também uma bastarda.

De mais tarde, é conhecido outro “bastardo da Casa de Fralães”, de nome João Correia de Lacerda: foi sacerdote e faleceu em Ruivães, em 1802

 

Francisco Correia de Lacerda

Francisco Correia de Lacerda, filho de Manuel Correia de Lacerda, veio residir para Fralães algum tempo e aí apadrinhou uma menina em 1722. Mas regressou a Ruivães, onde estava em 1732 pois datou daí uma procuração que pôs em marcha uma dura medida para os “caseiros” das suas terras do Couto de Fralães. Faleceu em 17 de Agosto de 1741, sendo sepultado na capela da sua Quinta de Ruivães.

Foi casado com D. Francisca Luísa de Magalhães e Melo.


Primeira página duma grande folha dobrada a meio que aparenta ser como que a capa dum dossiê organizado por qualquer advogado. Tem ao cimo os nomes de Francisco Correia de Lacerda e esposa. Depois do meio, menciona a “Quinta de Farelães”. O documento data de 1740.